quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Vento

Debruça-se em mim o Vento
Em início ténue, uma brisa.
Toma-me o tempo,
Embrenha-me em pó a camisa.

Solto-a de um arranque,
Solto os cabelos ao Vento
Nego o tempo galopante.

Hoje só quero o Vento ou os seus aios
Decido o Seu pedido aos raios,
Que de certo é meu querer
Focarem-me de uma maneira,
Ansiarem que é meu merecer
Trespassarem-me por inteira.

Descrendo no meu crer
Levam-me as roupas de ateia.

Fiquei tão desprotegida,
Tão sem raios nem trovões,
Que achei da minha vida
Curta vaga de emoções.

Por instantes mas sem tempo,
Sem louvor e sendo efémera,
O Vento do meu pensamento
Conduziu-me à vida eterna.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

luz e outros

A energia move-se em formas
E em vias que não emanam certezas
cai em flecha sobe em vão
chega ao cume de uma lâmpada acesa.

Essa luz banal e vaga
nao traduz o que lhe passa
esconde a grandiosidade de uma harpa
num surto de mediocridade para os que a olham.

ao pé da lâmpada a lua é maior
sem ela o que seria da transformação?
sem ela não haveria a luz da lâmpada...
mas é na lâmpada que queimamos a mão.

vil

Versos e mais versos...!
Porque são tão ténues os versos,
que chegam a ser arremessos no vazio do meu coração?

Que saudade fria, que noite ruim!
Pensei que a coragem não viesse de tão longe...
O pouco que percorreu apercebeu-me,
e olhando para trás só vejo estrago.

Que incerteza tão grande de ruído pequeno,
Deste amor extremo
que me consome e persuade e me alimenta as manhãs!
É tão patético que temo,
que me assombrem duas vidas, vis e vãs.