terça-feira, 18 de agosto de 2009

Inútil

E sozinha no mundo
Acrescentei um agregado,
Aproveito a dualidade a fundo
O mundo é-me dado de bom grado.

Entre ruas desertas aprofundo
Um mal que me cresce meio torpe
Páro um pouco... Um vagabundo.
Ignoro. Sigo a sorte.

Sinto o pano ao corpo colado
Nele um cheiro nauseabundo
Solto um sorriso rasgado
Pensando nele incluir o submundo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Imprecisão

No breu esconde-se a dor.
Sente-se a ferida rasgar a pele.
A solidão irrompe dum tal esplendor
Como e para que a solidão zele.
E a solidão cuida e arrasta
Em seu seio cai um sorriso.
Do esplendor uma lágrima nefasta.
O sorriso é impreciso
Pois uma só lágrima de esplendor,
Não, não chega…
Para mim não basta.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ao Spree que passa diante da janela

Vejo-o turvo em salpicos de luz, numa andança ligeira por debaixo das nuvens. Tremelicando segue a jusante sem pressa. Apesar das nuvens os pássaros chilreiam e desafiam as suas águas. Ele é doce e tolera o capricho das aves... mas eis que de súbito, os pássaros se aproximam demasiado e lhe tocam a epiderme. Arrancam-lhe gotículas dos seus tremores. Uma e outra vez... o movimento torna-se insensato e abusivo, ritmado ao som do canto. Numa nuvem interior que emerge a superfície, Spree explode! Afasta tudo o que ali passa. Alcança os humanos da margem e embala-os no turbilhão. Os pássaros perdem o norte, atordoados esvoaçam sem compasso. Tudo acalma num repente. Spree funde-se com a chuva entristece-se com os estragos...E nada disso passou de uma emoção.