quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ao Spree que passa diante da janela

Vejo-o turvo em salpicos de luz, numa andança ligeira por debaixo das nuvens. Tremelicando segue a jusante sem pressa. Apesar das nuvens os pássaros chilreiam e desafiam as suas águas. Ele é doce e tolera o capricho das aves... mas eis que de súbito, os pássaros se aproximam demasiado e lhe tocam a epiderme. Arrancam-lhe gotículas dos seus tremores. Uma e outra vez... o movimento torna-se insensato e abusivo, ritmado ao som do canto. Numa nuvem interior que emerge a superfície, Spree explode! Afasta tudo o que ali passa. Alcança os humanos da margem e embala-os no turbilhão. Os pássaros perdem o norte, atordoados esvoaçam sem compasso. Tudo acalma num repente. Spree funde-se com a chuva entristece-se com os estragos...E nada disso passou de uma emoção.

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