quarta-feira, 18 de agosto de 2010

De vermelho se põe
De azul se recompõe.

Que é mago penso eu
Tão depressa se encobre
Quero dele ser só meu
Quando o sinto, se descobre.

sábado, 8 de maio de 2010

cinismografia

Vergam-se as japoneiras cliché
cinicamente tão criticadas,
embelezam os sonhos de todos
ao acordar desvalorizadas.

Que cínicos todos somos
com consciência ou sem ela...
E eu cínica me admito
fingindo paz numa querela.

E todos os que afastam e apontam
sabendo que apontar é tão feio,
choram fome às escondidas,
o pão forte em trigo e centeio.

Por isso finjamos!
Que o sol será sempre quente,
que a lua nos dará sempre luz,
E que Ddeus existindo, é omnipotente.

Acreditemos que a vida é leve!
acreditemos que nunca vamos perder.
Para tal deixemo-nos enquadrar,
no cinismo necessário para viver.

terça-feira, 23 de março de 2010

Paz muda

No final das contas tudo fará sentido se se inverter o sentido. Quando deixarmos que a calmaria domine os espasmos iniciantes. O domínio da mente apenas será alcançável no limite, quando aos poucos tudo se envolver numa apaziguante dança de mudez e quando todo o mundo decidir não mais julgar. O julgamento só existe de entre os Homens que dele dependem, unicamente para se protegerem de si mesmos. Curioso. Assim, para que deixemos de lado essa necessidade mesquinha, terá o ser humano de o deixar de ser. Nessa hora tudo será sugado de volta ao silêncio da inocência que é o nada. E o fluxo novamente se inverterá exactamente no grau certo. Do nada ao tudo e do tudo ao nada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Epicuro e o que nos diz

Nunca deixarei de filosofar.
Ainda mais agora.
Agora que conheci Epicuro e o vou digerindo.
Como pôde tal ser padecer da morte se a todos fazia querer que não a temia?
Qual mal, qual terror, qual qualquer sentimento interior, se tinha o que queria?
Não porque desejasse a abundância mas precisamente por não necessitar dela.
Abençoado tempo que havia nesse tempo,
que permitia a todos que o desejassem filosofar
pensar até morrer, quando jovem e quando velho
até a última célula lisar o dom do pensamento.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Vento

Debruça-se em mim o Vento
Em início ténue, uma brisa.
Toma-me o tempo,
Embrenha-me em pó a camisa.

Solto-a de um arranque,
Solto os cabelos ao Vento
Nego o tempo galopante.

Hoje só quero o Vento ou os seus aios
Decido o Seu pedido aos raios,
Que de certo é meu querer
Focarem-me de uma maneira,
Ansiarem que é meu merecer
Trespassarem-me por inteira.

Descrendo no meu crer
Levam-me as roupas de ateia.

Fiquei tão desprotegida,
Tão sem raios nem trovões,
Que achei da minha vida
Curta vaga de emoções.

Por instantes mas sem tempo,
Sem louvor e sendo efémera,
O Vento do meu pensamento
Conduziu-me à vida eterna.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

luz e outros

A energia move-se em formas
E em vias que não emanam certezas
cai em flecha sobe em vão
chega ao cume de uma lâmpada acesa.

Essa luz banal e vaga
nao traduz o que lhe passa
esconde a grandiosidade de uma harpa
num surto de mediocridade para os que a olham.

ao pé da lâmpada a lua é maior
sem ela o que seria da transformação?
sem ela não haveria a luz da lâmpada...
mas é na lâmpada que queimamos a mão.

vil

Versos e mais versos...!
Porque são tão ténues os versos,
que chegam a ser arremessos no vazio do meu coração?

Que saudade fria, que noite ruim!
Pensei que a coragem não viesse de tão longe...
O pouco que percorreu apercebeu-me,
e olhando para trás só vejo estrago.

Que incerteza tão grande de ruído pequeno,
Deste amor extremo
que me consome e persuade e me alimenta as manhãs!
É tão patético que temo,
que me assombrem duas vidas, vis e vãs.